sábado, 11 de agosto de 2012
O Princípio da Incerteza na Psicologia
Você não pode conhecer uma pessoa sem se relacionar com ela, e uma vez que faz isso, você irrevogavelmente a modifica.
É só na relação com outro que você se define. Algumas vezes pode fazer isso com o seu Deus; mas em todo caso, qualquer adjetivo deve ser colocado em você por alguma outra pessoa. Você é corajoso? Forte? Engraçado, burro, nervoso? Tudo isso vem de outra pessoa. Então quando alguém se relaciona com você, ele(a) define quem você é. Você pode tentar controlar isto - como o narcisista tentando fazer a borderline vê-lo como ele deseja ser visto - mas no final das contas é com a outra pessoa.
Então nós somos, ou nos tornamos, qualquer coisa que alguém pense que somos? Não, é pior do que isso - nos queremos ser o que acham que somos. É por isso que mantemos a relação, de outra forma nós a mudaríamos. ("Eu me divorciei dela porque não gostei de quem eu me tornei.")
Nós fazemos isso porque é mais fácil, e nos serve. Você é bom porque ele te vê como bom - o que em troca permite a ele ser visto como alguém que pode detectar a bondade. E você aceita que é bom - ou mal/vulnerável/cínico/brilhante - porque isto serve a voê - existe algum ganho ali. Mas uma pessoa forte aceita que, por um lado a outra pessoa lhe fornece uma definição, mas por outro lado você é completamente indefinível, livre, a qualquer momento, para redefinir-se. Você pode desafiá-lo, desafiar a biologia, o ambiente, e ser qualquer coisa.
Você diz: Mas eu não posso ser uma estrela do futebol só porque eu quero. Mas isso é esperar que outra pessoa o veja de certa forma. Quer jogar bola? Vá jogar bola. "Mas não entrar em nenhum time." De novo, isso é querer mudar outra pessoa. Mude você primeiro.
Mas e quanto a identidade? Esse é o erro, a crença inútil. Pensar que somos nosso passado; que ele nos define. Nosso passado pode ser julgado - o que mais poderia ser julgado? - mas ele não pode - não deve - nos definir, porque em qualquer momento nós somos livres para mudar para qualquer coisa, qualquer outra coisa. E então, também, podemos ser julgados por não mudar.
Em última análise, você é responsável por tudo que faz e pensa. Não pelo que acontece a você, mas pelo modo que escolhe reagir. Nada mais fez você ser o que é. Nada mais fez você fazer o que faz.
Trinity disse melhor: "A Matrix não pode te dizer quem você é."
Artigo original com algumas citações a mais no começo: http://thelastpsychiatrist.com/2007/03/the_psychological_uncertainty.html
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